14/05/2016

Amar não é prémio

Edit Feito para você por com 13 Visões
Uma coisa que sempre tive muito clara na educação dos meus filhos foi distinguir entre comportamentos e emoções. Quando os repreendia, por algum motivo, enfatizava habitualmente que estava descontente com a acção que tinham praticado, mas que continuava a amá-los. Que o meu amor estava garantido, acima de acontecimentos que me desagradassem. 

Não é justo nem correcto fazer entender aos filhos que os amamos apenas quando estamos contentes com eles; quando nos agradam, quando nos obedecem, quando se saem bem. 
O amor deve ser isento, eterno e garantido. 

Como resultado desta amálgama entre sentimento e comportamento surge a dúvida do merecimento. Um filho merece sempre amor, aliás há um ditado sueco que exprime muito bem essa ideia: "Ama-me quando eu menos merecer, pois é quando mais preciso". 
O amor é o estofo de que é feito a confiança, e sem ele não há reviravolta, nem caminho ascendente. 

A saída dos resultados dos exames, e das notas de fim de ano lectivo, têm-me feito pensar sobre isto. As expectativas dos pais não correspondem frequentemente à realidade; não significando por isso que sejam expectativas justas. Há diversos motivos que poderão explicar e justificar descidas de notas, então de exames em tão tenras idades mais se poderá compreender ainda.

Por muito que nos orgulhemos dos nossos filhos, eles não são faixas de prémios que levemos ao peito. Não é para isso que eles existem. 

Invertamos agora as coisas e perguntemo-nos quantas vezes falhamos e desmerecemos o amor dos filhos. No entanto, eles amam-nos. Desde muito pequeninos que tanto se zangam como depressa vêm dar um abraço, e fazer as pazes. Isto só deixa de acontecer porque lhes ensinamos, com o nosso exemplo, que não se faz. Que estando zangados não abraçamos, nem beijamos. Que não fazemos as pazes logo a correr; que a zanga precisa de tempo para ser remoída. 
Ensinamos o mal a quem intuitivamente faz o bem.

Amar não deveria ser prémio, deveria antes ser uma constante acima das variáveis da vida.  

Sou Fernanda Sampaio, Mãe a tempo inteiro
Blog: http://fernanda-e-filhos.blogspot.pt/

13 comentários:

  1. Sabe Fernanda, eu estou apenas no inicio, mas o meu amor é único pelas crianças. E a minha maior dificuldade é repreender sem me sentir culpada e triste. Eu no final sempre abraço e choro sozinha... o meu amor é tao intenso que as vezes parece que o mundo para e eu apenas vejo as crianças e tento ajudar no que podemos melhorar, mas para mim educar é essencial para todos. (Ate para mim)

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  2. Carol, a repreensão é a verbalização do limite, e as crianças precisam de limites. Isso é educar, e essa é nossa função. Não fique triste nem se sinta culpada por educar os seus filhos, isso também é amá-los.
    A maternidade é uma aprendizagem, sem dúvida, com muitos erros pelo meio, porém, se fizermos o nosso melhor, sempre com amor, não há razão para chorar.
    Seja feliz, mãe feliz faz filhos felizes :)

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  3. Gostei do texto da Fernanda é realista porém difícil para muitas mamaes como podemos ver a cima. Eu acho que o limite é importante mas com moderação. Tudo bem transmitido as crianças ocorrem bem

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    1. Obrigada!
      Não é fácil, mas também não tão difícil; por isso, apoios e conselhos, como proporciona este site são tão importantes.
      Tudo de bom!

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  4. A maneira que vocês estão colocando sobre o amor de mae nos textos é muito cativante e motivador. Agora compreendo o titulo da pagina: Nossa Visao de Mae. Já divulguei na minha pagina e espero que as maes que conheço venham ler esse material incrivel

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  5. A cada dia que passa eu gosto mais de estar aqui com vcs acompanhando !!! Textos ricos e muito amor e família !!!

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    1. Pela minha parte, agradeço, Fernando!

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  6. A cada dia que passa eu gosto mais de estar aqui com vcs acompanhando !!! Textos ricos e muito amor e família !!!

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  7. Fernanda, pela escrita percebi que és portuguesa, certo? Sua participação nesse projeto é de valor. Ah, gostei do teu blog também. Contaremos contigo aqui mais vezes? Posso enviar seu texto para umas amigas?

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  8. Olá Luísa, sim, sou portuguesa.
    Teria muito gosto em participar mais vezes neste projecto.
    Obrigada! Sem problemas, o meu texto está à disposição!

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